Deolino Pedro Baldissera, sds
Ouvi, não faz muito tempo, a seguinte expressão direcionada a uma pessoa: “é tão pobre, tão pobre, que a única coisa que tem é dinheiro!” Chamou-me atenção a frase pelo seu significado oculto ou escondido atrás da aparente ironia. Nos costumes cotidianos, dizemos que uma pessoa que tem muito dinheiro é rica! Na expressão acima é o contrário! Como entender? Afinal de que riqueza ausente estava se falando? Pensando sobre isso noto que é uma frase enigmática em significado, porque revela um engano alimentado por muitas pessoas. Aquelas que colocam a razão de sua vida em acumular dinheiro. E quanto mais tem, mais quer, são insaciáveis; em suas contas bancárias parece nunca ter o suficiente, mesmo que de tanto que tem, não saiba o quanto possuam. Se enchem de ambições e ganância que alimentam e consomem seus dias correndo atrás de dinheiro. Sua sede por ele é tal que não descansam, não dormem direito, se distanciam das pessoas, criam inimizades, comprometem relações familiares. Suas vidas vão se tornando um vazio existencial que os tornam pobres, pobres, que a única coisa que sobra é dinheiro!
Certa vez uma pessoa me procurou e contou a seguinte história. “Eu desejei ser feliz e acreditei que conseguiria ser se tivesse recurso para realizar meus sonhos. Trabalhei e consegui ter sucesso nos negócios que me possibilitaram viajar por muitos países, fazer compras em boutiques chics, frequentar restaurantes famosos. Qualquer desejo que me viesse à cabeça eu corria atrás para mais uma aventura em busca da felicidade. Momentaneamente gozei honestamente dos prazeres que minhas posses me deram acesso. Se você me perguntar se estou feliz? minha resposta é: não. Penso que me enganei na busca, porque achei que a felicidade estava ao alcance de meu dinheiro. Constato que não, apesar dos momentos bons que ele me causou. Mas em relação à vida sinto um vazio profundo que meu dinheiro não preencheu”. Brincando disse-lhe. Eu não sou dono de agência de viagem, nem dono de boutique, menos ainda de restaurante. E você sabe disso. Imagino que você veio conversar comigo, porque sente uma necessidade de uma outra busca. Então, em que posso ajudá-lo em sua busca? “Me diga onde encontrar Deus” porque é isso que eu preciso para ser feliz”. Surpreendeu-me a resposta! lembrei-me então de um pensamento de Santo Agostinho que disse a esse respeito: “durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…
Esta experiência de vazio existencial é uma realidade muito presente em nosso tempo. Quanta gente sofre desse mal. O desespero causado pelo vazio, leva para caminhos sempre mais tortuosos e poucos param para se perguntar: afinal para onde está indo minha vida? Em que estou gastando meus dias? Faz sentido o jeito que estou levando a vida? Que felicidade procuro? É necessário arrisca-se na aventura de um passeio interior e deixar que a própria vida diga o que ela quer para seu futuro, algo que lhe dê significado e razão para lutar.
Como vimos acima, o dinheiro não pode ser a meta final porque o próprio tempo desmente quando o coração se cansa e reclama que está vazio. No caso relatado acima, a pessoa queria saber onde encontrar a Deus? Na resposta de Santo Agostinho, Ele estava a seu alcance, dentro de si, mas enganado procurava fora, convencido de que o dinheiro era que podia garantir-lhe a felicidade. Nossa vida foi feita para Deus, teimar em direcioná-la para outros fins, só vai sobrar o vazio. Certa estava a observação inicial, “era tão pobre, tão pobre, que a única coisa que tinha era dinheiro”…

