Este breve artigo toma como base um dia de formação no Instituto de Psicologia da Universidade Gregoriana no dia 11 de maio de 2024, com Mary Pat Garvin[1]. O enfoque era de como se pode usar a autobiografia ou história de vida como uma ferramenta no processo formativo.
Qual é a sua prática ou a de sua congregação ou diocese com a autobiografia? É só um documento para obter os dados de um candidato ou é um instrumento para ajudar no processo formativo? Se a usamos no processo formativo, qual é a compreensão e objetivo?
Uma história de vida, contada ou escrita, pode fornecer muitos elementos para o próprio indivíduo e para quem o acompanha. Para isso, uma compreensão prévia pode ser útil. É bom ter presente a força da narração. Nela há mais do que parece, mas é preciso saber ouvir, e ouvir com os “ouvidos do coração”, como se lê no prólogo das Regras de São Bento.
Para a jornada de estudos, Mary Pat trazia várias citações para mostrar a importância e a força da narração. Eis algumas delas.
- “… seres humanos são essencialmente narradores…” [2]
- “… a atividade de contar [histórias] não consiste meramente em acumular episódios um sobre o outro, mas constrói conjuntos significativos de eventos esparsos”.[3]
- “o método “narrativo) parece orientado a colher esta realidade complexa da pessoa em desenvolvimento bem mais adequado de quanto conseguem fazer um método puramente estrutural (racionalista) com a sua formalidade, ou aquele puramente empírico (positivista), com a sua paixão determinista. Não se trata, de fato, de encontrar, como numa pesquisa arqueológica, fatos ou evidências científicas, puramente “objetivas”, mas de construir uma história do passado da pessoa a ser confrontada com o presente e o futuro”[4]
- “… o discernimento tem uma abordagem narrativa:não se limita à ação pontual; insere-a num contexto: de onde vem este pensamento? O que sinto agora, de onde vem? Para onde me leva o que estou pensando agora? Quando tive a ocasião de o encontrar precedentemente? É algo novo que sinto agora, ou que já senti outras vezes? Por quê é mais insistente do que outros? O que me quer dizer a vida com isto?[5]
- “Desde que a realidade humana toma forma de narrativa, narrativas são a embalagem natural” da vida e o meio fundamental de revelar a si mesmo e a própria experiência da vida consagrada”[6]
- “… A narrativa pode ser considerada como uma capacidade inerente única à pessoa humana. É natural que a pessoa narre para dar sentido aos acontecimentos. A própria narração da própria história tem uma dimensão formativa: o relato de uma narrativa subjetiva pode ser uma ocasião de crescimento”[7].
- “… A história [narrativa] de uma pessoa é formada e moldada pelo objetivo para o qual ela tende, e as virtudes que ela vive fornecem a estrutura para uma avaliação crítica do movimento para frente (ou para trás) na jornada da pessoa pela vida […]. A própria pessoa decide quais aspectos de sua história ela revelará e como os comunicará. Essa decisão pode não ser necessariamente consciente, porque nesse elemento entra toda a gama de características pessoais, que influenciam como uma pessoa percebe sua história, o que exatamente ela lembra dessa história, como ela escolhe comunicá-la e a linguagem de sua narrativa.”[8]
Diante destas citações seria bom parar um pouco para se escutar e refletir sobre o que me chamou à atenção destas citações; se alguma luz se acendeu na mente; se a compreensão sobre a importância da narração aumentou; se me fez prestar mais atenção sobre minha experiência de formador ou acompanhante. Melhor se as respostas forem colocadas por escrito.
Estamos pensando a autobiografia/história de vida como uma ferramenta, mas pode ser que uma congregação ou seminário a use como documento na seleção dos novos candidatos. Se for só um documento, em geral vai para o arquivo. Com a nova sensibilidade e legislação sobre a privacy, é sempre bom estar atentos como se armazenam informações nos arquivos. Deveria ser um arquivo confidencial e não se deveria mais fazer referência ou uso desta biografia. Quando a autobiografia/história de vida for usada como ferramenta ela é colocada no arquivo/pasta pessoal confidencial para ser usada periodicamente ao longo do processo formativo. Neste caso é bom que a pessoa mantenha uma cópia para si para ir escrevendo e completando a própria história.
Quem requer a autobiografia/história de vida deve levar em conta um elemento crucial que é a qualidade da relação que ele tem com a pessoa que está na sua frente naquele momento.
O diretor vocacional notou um crescimento na confiança e transparência durante as conversas individuais com o indivíduo?
O indivíduo compartilhou não apenas experiências alegres da vida, mas também arriscou revelar algumas das experiências mais dolorosas da vida?
É sabido que mais ou menos inconscientemente, quem responde tenta ajustar a mensagem às expectativas de quem vai ler a autobiografia. Os testes projetivos foram criados para que a pessoa se revele para além de suas defesas. Sabendo disso, quem lê a autobiografia pode ser mais objetivo na sua interpretação.
Nesta linha é importante também o modo como se dá a orientação, escrita ou falada, para escrever a autobiografia. Isto também influencia a resposta. Pode se dar uma direção mais estruturada ou menos estruturada.
Exemplo de uma orientação mais estruturada: componha uma autobiografia que conte sua vida até os dias atuais. Inclua o que você considera ter sido influências e marcos significativos em sua vida. Por exemplo…
– saúde, família, amizades, relacionamentos significativos
– experiências educacionais, formação escolar,
– envolvimento na comunidade eclesial,
– seus dons, talentos, hobbies, etc.
– vida espiritual (por exemplo, imagem de Deus, devoções, etc.)
– experiências de serviço
– experiências profissionais / de trabalho
– uso de mídias sociais
– compreensão atual da vida consagrada ou do sacerdócio
– e quaisquer outros aspectos de sua vida que você deseja incluir
Exemplo de orientação menos estruturada: Componha uma autobiografia de sua vida. O que você acredita ter sido relacionamentos significativos, eventos e marcos em sua vida até hoje? O tamanho da sua autobiografia depende de você, mas tente incluir os aspectos que você considera mais significativas de sua vida.
Quando se pede uma autobiografia como uma ferramenta para o processo formativo é importante que os diversos formadores estejam de acordo e deem a mesma mensagem.
Tente pensar e responder por escrito quais seriam as vantagens e desvantagens de uma orientação mais estruturada ou menos estruturada.
O que fazer com a autobiografia/história de vida escrita? Não se pode perder a oportunidade de explorar o melhor dela para o bem do indivíduo. Segundo Mary Pat, algumas perguntas podem ajudar para se iniciar a conversa:
Conte-me sobre sua experiência de escrever sua autobiografia?
Que emoções surgiram para você ao pensar em sua vida?
Que emoções surgiram enquanto você tentava imaginar como começar e o que incluir em sua autobiografia?
Você escreveu sua autobiografia de uma só vez ou ao longo de vários dias / semanas?
Você escreveu sua autobiografia à mão ou usou um computador?
Qual foi a parte mais fácil de escrever? O mais difícil? Alguma pista do porquê?
Ao relembrar sua vida, alguma lembrança o fez rir, derramar uma lágrima, reviver uma emoção, etc.?
Existe alguma experiência de sua vida que você esqueceu de incluir e que gostaria de acrescentar?
Você vai manter uma cópia de sua autobiografia? Se sim, onde você a guardaria?
Cada um em base à sua experiência pode fazer outras perguntas, como, por exemplo, a quem você gostaria de contar sua história de vida neste momento? Que fatos ou memórias tinham ficado esquecidas e que relembrou agora ao escrever?
E é bom ter sempre presente o que falou o Papa Francisco:
“Conhecer a própria história de vida é um ingrediente – digamos assim – indispensável para o discernimento. A nossa vida é o “livro” mais precioso que nos foi confiado, um livro que muitos infelizmente não leem, ou que o fazem demasiado tarde, antes de morrer. No entanto, é precisamente nesse livro que se encontra aquilo que se procura inutilmente por outros caminhos”[9].
Uma autobiografia pode ser comparada a um espelho, refletindo para a pessoa aspectos de sua vida aos quais ela não prestou atenção anteriormente. Uma autobiografia também pode ser comparada a uma janela através da qual uma pessoa pode vislumbrar aspectos de si mesma não notados anteriormente.
Uma autobiografia sempre contém um excedente de significado! A cada leitura sucessiva, existe a possibilidade de que algo novo, talvez fresco, presenteie o leitor com uma visão necessária naquele exato momento.
“Não se trata simplesmente de contar histórias como tais, ou de nos anunciarmos, mas de lembrar quem e o que somos aos olhos de Deus, testemunhando o que o Espírito escreve em nossos corações e revelando a todos que sua história contém coisas maravilhosas”[10]
Aqui também seria interessante parar um pouco e tentar perceber na própria vida quando, escrevendo e partilhando experiências, eventos, algo ficou mais claro, uma janela se abriu, ou pôde se perceber melhor como num espelho.
Seguindo sempre a apresentação de Mary Pat podemos ver um modo eficaz de começar a ler a autobiografia/história de vida que foi pedida, suponhamos pelo orientador vocacional ou formador. O ponto de partida é conhecer o que se busca ao ler a autobiografia, tendo presente a própria cultura e a cultura do candidato ou formando, o carisma da congregação e a própria experiência e formação.
Primeira Leitura – Geralmente familiariza o diretor vocacional ou formador com os detalhes básicos da vida de uma pessoa (por exemplo, constelação familiar, experiências educacionais, etc.)
Leituras subsequentes – Uma leitura atenta de uma autobiografia / história de vida exige que o diretor vá além, considerando não apenas os detalhes da vida da pessoa incluídos na autobiografia (o quê), mas também quaisquer indicações na autobiografia que apontem para como esses relacionamentos, eventos e marcos podem ter contribuído para o crescimento e desenvolvimento do indivíduo. Aqui é bom lembrar que, dado que o desenvolvimento humano é um processo dinâmico ao longo da vida, é mais útil pensar na maturidade humana como uma tendência ou orientação geral, em vez de um ponto fixo ou objetivo a ser alcançado de uma vez por todas.
Resposta do diretor à leitura de uma autobiografia – Uma das etapas mais frequentemente negligenciadas no trabalho com uma autobiografia / história de vida é a própria resposta do diretor ao texto. Você pode fazer a si mesmo as seguintes perguntas.
-Ao ler a autobiografia, que pensamentos e emoções espontâneos o texto provocou em mim?
-Esta autobiografia ressoa com minha própria experiência de acompanhar essa pessoa nos últimos meses / ano?
-Eu experimentei algum momento “ah-hah!” que lançou luz sobre minhas próprias observações de trabalhar com essa pessoa?
-Que pensamentos, percepções e perguntas adicionais surgem agora que estudei esta autobiografia? Como minha leitura cuidadosa desta autobiografia me prepara para acompanhar melhor essa pessoa?
Para ajudar ainda na leitura profícua da autobiografia/história de vida, a autora sugere vários tópicos e temas a serem levados em consideração. Cada um leve em conta também sua experiência e contexto.
Tempo e Relação com o Diretor Vocacional ou Formador
- Quando, durante o processo de discernimento vocacional / formação a pessoa foi convidada a escrever sua autobiografia?
- Como esse momento favoreceu ou talvez inibiu a capacidade de autorrevelação da pessoa?
- Que nível de confiança (capacidade de autorrevelação) estava em vigor quando convidei o indivíduo a escrever sua autobiografia?
- Esse nível de confiança se reflete no material contido na autobiografia?
Instruções
▪ Se instruções estruturadas foram dadas (por exemplo, incluir informações sobre sua família, formação educacional, relacionamentos significativos, experiências de trabalho / profissional, etc.), a pessoa respondeu a esses tópicos? Em que profundidade?
▪ Algum dos tópicos solicitados foi omitido? Como isso se relaciona com minha própria experiência de acompanhar essa pessoa nos últimos meses / ano?
▪ Foram incluídos tópicos que não foram solicitados? O indivíduo compartilhou esses tópicos / histórias anteriormente em nossas conversas?
▪ Se as direções fossem menos estruturadas, quais tópicos o indivíduo escolheu incluir espontaneamente?
▪ Como essa espontaneidade se relaciona com minha própria experiência de acompanhar a pessoa?
▪ Quais tópicos contém mais energia, vida?
▪ Quais tópicos pareceram vagos e menos desenvolvidos?
▪ Como esse material me ajuda a entender minha própria experiência de acompanhar essa pessoa?
Estrutura, Tom, Foco
Estrutura:
▪ Como eu descreveria a estrutura da autobiografia – lógica, confusa, rígida, solta?
▪ Como isso se relaciona com a forma como o indivíduo se apresenta durante nossas conversas em andamento?
▪ A autobiografia tende a ser mais auto reveladora ou de auto ocultação proposital?
Tom:
▪ A autobiografia é otimista (excessivamente?), pessimista (deprimida, sem energia) ou talvez falte um tom claro?
▪ O tom da autobiografia flutua apropriadamente dependendo das histórias que estão sendo contadas?
▪ Como isso reflete minha experiência de acompanhar esse indivíduo?
▪ O indivíduo se apresenta como um participante ativo e engajado em seu próprio desenvolvimento, ou mais como um espectador passivo e desapegado? Como isso se compara ao nosso colóquio?
Foco
▪ Qual é o foco predominante desta autobiografia – as próprias realizações, a experiência de relacionamentos enriquecedores, relacionamentos difíceis, feridas, admiração pelo crescimento do autoconhecimento e / ou descobertas ao longo da vida, etc.?
▪ Existe um equilíbrio saudável entre o passado, o presente e as aspirações para o futuro?
▪ Existe um foco predominante no passado com a exclusão do presente?
▪ O futuro é apresentado de forma realista considerando a vida da pessoa até agora?
Temas: Presente e Ausente
▪ Quais temas estão presentes na autobiografia? Há algum tema visivelmente ausente?
▪ Existem temas inesperados?
▪ Algum tema recorrente (por exemplo, papel da fé, relacionamentos conflituosos, lutas emocionais)?
▪ Algum sinal de autoconhecimento em evolução?
Desenvolvimento Afetivo / Emocional
▪ Quais emoções estão presentes nesta autobiografia?
▪ Há ausência de emoções ao longo da autobiografia?
▪ Existe um senso de curiosidade sobre as próprias emoções?
▪ Em que áreas da vida o indivíduo encontrou alegria e felicidade?
▪ Que atitude a pessoa adotou diante do sofrimento?
▪ A autobiografia revela alguma pista de como o indivíduo viveu a dinâmica da dialética de base?
▪ Como a pessoa respondeu a períodos de frustração, decepção e raiva em vários momentos de sua vida?
▪ Sinto que o indivíduo tem a capacidade de dialogar com suas emoções?
▪ Como é a apresentação de emoções na autobiografia se comparada à minha experiência de acompanhar esse indivíduo?
Capacidade relacional
▪ Que relações significativas estão presentes na autobiografia?
▪ Qual é o tom emocional dos relacionamentos da pessoa: confiante, competitivo, indiferente etc.?
▪ Como os outros são descritos na autobiografia – fisicamente, emocionalmente, lista de realizações, apoio ou não apoio do autor. etc.?
▪ Existem sinais da capacidade da pessoa para relacionamentos estáveis e duradouros, ou a maioria dos relacionamentos é de curta duração?
▪ Relacionamentos difíceis são mencionados? Em caso afirmativo, como o outro é retratado; tudo bom, tudo ruim, ou de uma maneira bastante equilibrada.
▪ O autor percebe algum insight sobre sua própria maneira de se relacionar com os outros?
▪ Como a maneira dessa pessoa se relacionar se reflete em nosso trabalho juntos?
Capacidade intergeracional
▪ A pessoa foi criada em uma família intergeracional? Alguma das bênçãos e/ou desafios dessa experiência está incluída na autobiografia?
▪ A pessoa descreve a influência de adultos significativamente mais velhos durante seus primeiros anos de desenvolvimento? Esses relacionamentos foram descritos como de suporte, próximos, conflituosos, distantes, etc.?
▪ O indivíduo teve algum modelo ou mentor que fosse significativamente mais velho e em quem confiasse e apreciasse sua sabedoria e experiência?
▪ Como foram vivenciados eventos como aposentadoria dos pais ou avós, problemas de declínio cognitivo e fragilidade e morte de entes queridos?
▪ Houve ausência de idosos em sua vida? Os avós estavam falecidos, tias e tios moravam distantes, e seu bairro / cidade / vila era composto principalmente por famílias jovens?
▪ Existe algum reconhecimento de que a maioria dos membros de sua congregação pode ser muito mais velha do que ele? Como sua experiência intergeracional anterior (ou a falta dela) pode influenciar sua prontidão e capacidade de vida intergeracional?
Descobertas adicionais
Capacidade de brincar
Confiança básica em si mesmo e nos outros
Desenvolvimento espiritual
Capacidade de simbolização
Profundidade do autoconhecimento
Senso de curiosidade e admiração
Autoestima
Consciência das motivações
Capacidade de empatia
Capacidade de Perturbação Sagrada
Criatividade e otimismo
Desenvolvimento psicossexual
Padrões de compromisso
Presença de gratidão e alegria
O futuro: esperanças, sonhos, medos
Capacidade de sacrifício
Senso de humor
Capacidade de focar e concentrar
Flexibilidade
Um senso saudável e maduro de culpa
Atitudes em relação ao estudo / aprendizagem
Capacidade de adiar a gratificação
Capacidade de solidão
Compreensão atual da vida consagrada e do sacerdócio
Lendo o texto e participando do dia de estudo descobri que uma autobiografia/história de vida tem mais elementos do que eu tinha presente, mas é preciso saber ler e escutar. Relendo, sintetizando e adaptando o texto, pensando nos leitores da Escola para formadores, aumentou a minha convicção que a autobiografia/história de vida pode ser uma ferramenta realmente útil no processo formativo. Para isto, seria necessário que os vários formadores das diversas etapas conhecessem esta ferramenta e dela se apropriassem para ter uma linguagem comum e dar continuidade no uso desta ferramenta.
Roma, outubro 2024
Pe. Diógenes Casaril
[1] Garvin, Mary Pat, The Autobiography: Revived, Refreshed and Renewed, Pontifical Gregorian University (texto de estudo).
[2] Kathleen Norris (1998). Amazin Grace: A Vocabulary of Faith. Riverhead Books, pg.3
[3] Paul Ricoer (1978). The Narrative function. In W. A. Beardsley (Ed), Semeia, 13. Slckety of biblical Literature, pg. 183
[4] Franco Imoda, SJ. (1993). Sviluppo umano: Psicologia e Mistero. PIEMME. Pg. 295
[5] Papa Francisco (2022). Catequeses sobre o discernimento 6. Os elementos do discernimento. O livro da própria vida. (19 de outubro de 2022)
Mary Pat Garvin, RSM (1999). Stories of Commitment: Women’s Interpretation of the Consecrated Life and the Values of the Gospel – An Experimental Exploration. Excerpt of Doctoral Dissertation, Pontifical Gregorian University, Rome, p. 6.
Cáit O’Dwyer, RSM (2000). Imagining One’s Future: A Projective Approach to Christian Maturity. Editrice Pontificia Università Gregoriana, Rome, p. 19.
Brenda Dolphin, RSM (1991). The Values of the Gospel: Personal Maturity and Thematic Perception. Excerpt of Doctoral Dissertation, Pontifical Gregorian University, Rome, p. 49, 59.
[9] Papa Francisco (2022). Catequeses sobre o discernimento 6. Os elementos do discernimento. O livro da própria vida. (19 de outubro de 2022)
Pope Francis (2020). Message for the 54th World Communications Day. https://www.vatican.va/content/francesco/en/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html.

